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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tratar avós com carinho é respeitar a própria velhice, dizem especialistas

Efe
O primeiro passo para tratar adequadamente os idosos é aceitar que todos vamos ficar velhos um dia

Atenção, afeto, respeito, comunicação, companhia, integração em lugar da exclusão da vida cotidiana. Estes são alguns dos ingredientes que deve ter a relação das famílias com seus avôs e idosos, cada vez mais expostos a casos de abusos, maus-tratos e negligência, devido a sua frequente situação de dependência.

"Como está jovem, forte como um cavalo. Não aparenta a idade que tem". Quando alguém faz um comentário como esse, aparentemente elogioso, na verdade está expressando exatamente o contrário: que o bom é ser jovem, que a sociedade aprecia a juventude e que a velhice é praticamente um defeito.

Às vezes são os próprios idosos quem menosprezam sua condição de velhos, ao pronunciar frases como "na minha época..." ou "quando eu tinha a sua idade", que significam que os bons momentos ficaram para trás e que estão excluídos dos tempos atuais.

São frases que refletem o desconcerto, tanto das pessoas em idade avançada como de seus familiares e entes queridos, frente à velhice. Um desconhecimento que frequentemente se converte na antessala dos maus-tratos aos idosos, como denunciam alguns médicos.

Os especialistas da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (SemFYC) asseguram que os abusos às pessoas mais velhas ocorrem em qualquer classe social. Em mais da metade dos casos, quem pratica o abuso são os filhos, e em torno de 10% das vezes, são os cônjuges.

"O progressivo envelhecimento da população (mais doenças, mais dependência, mais necessidade de cuidados...) contribuirá para que esse problema aumente mais nos próximos anos", explica o médico Juan Manuel Espinosa, coordenador do Grupo de Atenção ao Idoso da SemFYC.

Efe
Segundo a Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária (SemFYC), os maus-tratos a idosos ocorrem em todas as classes sociais

O conceito de maus-tratos inclui o abuso físico, psíquico, sexual e econômico, ainda que o mais comum seja a negligência, causada por omissão na provisão de cuidados que o idoso necessita.

"Do ponto de vista psicológico, existem três tipos de praticantes de abusos: os hostis, porque foram maltratados pelo idoso de quem agora cuidam; os autoritários, que são intransigentes com as incapacidades das pessoas velhas; e os dependentes economicamente dos anciãos", afirma Espinosa.

Evitar os abusos, cultivar o carinho

O especialista explica que nos casos de negligência, o sinal mais frequente é o descuido, a falta de higiene (sobretudo em contraste com o cuidador e o entorno), desnutrição, roupas inadequadas, etc.

No caso dos maus-tratos físicos, os profissionais devem suspeitar de contusões nos punhos e ombros, hematomas, queimaduras e inclusive repetidas quedas e fraturas múltiplas.

Quando o abuso é psicológico, os idosos apresentam confusão, medo, prantos injustificados e depressão. "Às vezes, quando chegamos nas casas, observamos uma atenção extrema por parte do cuidador, bastante preocupado com tudo que o cerca, mas, ao mesmo tempo, o olhar dos idosos pede ajuda", explica Espinosa.

Efe
Devemos escutar os idosos com apreço, proximidade e companheirismo

"O primeiro passo para tratar adequadamente os idosos é aceitar que todos nós vamos nos tornar velhos. Não podemos ignorar que nos aproximamos, sem pressa, mas inexoravelmente, da chamada terceira idade", diz Josefa Rosa Sardón, especialista em cuidar de pessoas mais velhas.

"A partir dessa tomada de consciência, é preciso respeitar o ritmo, valores, condutas, desejos e organização de vida dos idosos. Isto não significa estar sempre de acordo com eles, mas sim buscar o consenso. O idoso tem o direito e a liberdade de escolher como quer viver, e não há razões para impormos nossos critérios sobre sua existência", ensina Josefa.

"Temos que manter uma postura aberta, positiva e sem preconceitos, nos preocupando em como eles se sentem e vivem, o que querem e gostam, como percebem suas lembranças e experiências. Temos que escutar os idosos com apreço, consideração, proximidade e atitude de companheirismo", aconselha a especialista.

"Além disso, temos que dar a eles muito carinho, porque nessa idade se valoriza mais do que nunca o afeto. O carinho se manifesta com dedicação, gestos, olhares e na maneira afetuosa ao falar com eles", explica Josefa.

Para a especialista, "inclusive idosos que têm alguma forma de demência e que já não são conscientes de muitas coisas ao seu redor, sempre se dão contra do afeto, da proximidade e do carinho dos entes queridos".

"Um sorriso, uma palavra amável, um gesto afetuoso, um abraço, uma audição atenta, uma mão tenra nas costas, uma olhar ou um aperto de mão carinhoso, são coisas que podem atingir a alma e preencher de alegria o coração de nossos entes queridos e enfermos", finaliza Josefa.

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